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Um outro ponto de vista sobre a Educação - Esther Wojcicki

Atualizado: 3 de Set de 2019

No passado dia 24, no programa "Inspirando o Futuro – Singularity Portugal" da RTP2, passou uma entrevista feita a Esther Wojcicki.

Nos Estados Unidos, quando são debatidos temas como a inovação na educação, torna-se difícil não mencionar o nome de Esther Wojcicki. Na verdade, as conferências já dadas por todo o mundo já transportaram o seu nome e as suas visões a uma dimensão mundial.

Mas afinal, quem é Esther Wokjcicki?

Wokjcicki é uma professora e jornalista americana. Pioneira na introdução de tecnologias na educação e na adoção da metodologia blended – metodologia que combina conteúdos digitais e tradicionais – e fundadora do programa “Artes Media” na Universidade de Palo Alto. No seu percurso, já conta com dois doutoramentos e já foi distinguida como Professora do Ano pela Comissão de Credenciamento de Professores da Califórnia.


A ensinar no século errado

O mundo mudou, as mentalidades mudaram, mas o método de ensino mantém-se praticamente igual há 30 anos. De um modo geral, os alunos limitam-se a seguir as instruções dos professores e no final, são avaliados com o recurso a testes. Neste processo de aprendizagem, a capacidade de pensamento crítico dos alunos acaba por não ser desenvolvida. A mudança é necessária, no entanto, existe uma enorme resistência a essa alteração de procedimentos, e sabe porquê? Apenas porque o ensino sempre funcionou assim...e a mudança assusta.

“Todos temos que mudar para evoluir.”

Desengane-se, se pensa que as aulas consistem apenas em: sentar, ouvir e teste. É necessária a adaptação aos comportamentos dos estudantes que, atualmente, aprendem online, através do telemóvel e de vídeos no Youtube. Este comportamento não deve ser visto como errado, afinal, vivemos numa era digital, como tal, é necessário saber conjugar as duas vertentes digital/tradicional. É imperativo que os métodos de ensino no Secundário e na Universidade sejam reinventados e reestruturados, uma vez que, o surgimento de novas tecnologias levaram a uma alteração dos comportamentos de aprendizagem dos alunos.


Educação Blended

“Não posso esperar fazer uma dissertação sobre criatividade e tornar-me criativa. Não podemos simplesmente esperar que os alunos absorvam e saibam aplicar as aprendizagens transmitidas pelos professores.”

Para lecionar, Esther recebeu indicações claras daquilo que deveria ser o ambiente de sala de aula: os alunos sentam-se em filas; o professor fala e os alunos ouvem; os alunos recebem um livro e decoram a matéria; sexta feira é o dia de realizar os testes de avaliação. Face a estas regras, Esther decidiu: livrar-se dos livros e comprar computadores e libertar os alunos e dar-lhes liberdade sobre a sua aprendizagem. E foi assim, que Esther se tornou pioneira na implementação de tecnologia na sala e aula e também, na adoção da aprendizagem blended.

Esther confessa que o segredo passa por colaborar com os alunos, dar-lhes controlo sobre o que estão a aprender e envolvê-los na elaboração do próprio plano educativo.


Conselho para os professores portugueses

“Independentemente da disciplina que lecionam, garantam que têm algum projeto onde os alunos possam trabalhar e comunicar entre eles, porque é aí que eles aprendem as competências de comunicação. Não, não têm que ser vocês a definir esse projeto, deem aos alunos a oportunidade de o definirem. Dêem-lhes a oportunidade de trabalhar nesse projeto 20% do tempo - os restantes 80% podem ser destinados ao método de ensino tradicional.”

A visão de Esther

Esther acredita que as competências mais importantes para o século XXI são a colaboração, a criatividade e o pensamento crítico. Assim como Ken Robinson, acredita também que as escolas matam a criatividade dos alunos, precisamente por não os incentivarem a experimentar coisas novas e, sobretudo, a errar.

“Gostava de imaginar um mundo onde os jovens que vêm de países em desenvolvimento são educados e podem fazer alterações importantes nas suas vidas e nas vidas da sua comunidade. Estes jovens têm ideias brilhantes e se lhes dermos a oportunidade de exercitar essas ideias, eles próprios poderão melhorar o mundo.”

Através da abordagem T.R.I.C.K - Trust (confiança), Respect (respeito), Independence (independência), Collaboration (colaboração) and Kindness (bondade) - Esther procura que os jovens possuam controlo sobre aquilo que estão a aprender.

"É necessário despertar e incentivar as paixões dos jovens."

Vemos cada vez mais crianças desinteressadas nas matérias que estão a aprender, o que as leva a ter maus resultados e, consequentemente, a não gostar da escola. Os jovens abandonam as escolas porque não se sentem felizes com aquilo que aprendem. Para combater esta realidade, é necessário que os professores aceitem e valorizem as ideias dos seus alunos, porque, afinal de contas, de quem é o futuro?


Retirado e adaptado da entrevista "Inspirando o Futuro - Singularity Portugal".

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