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O panorama da docência em Portugal

O envelhecimento da classe

Segundo o relatório anual Education at a Glance, apenas 1% dos professores portugueses possui uma idade inferior aos 30 anos. Estes números divulgados pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico permitem-nos entender a dimensão do envelhecimento da classe docente em Portugal.

“A força do trabalho docente de Portugal tem envelhecido na última década e está entre os mais velhos de todos os países da OCDE”

A verdade, é que esta realidade não representa nenhuma surpresa. O envelhecimento do corpo docente é um cenário que tem vindo a ganhar proporções cada vez maiores ao longo dos últimos 10 anos. A justificação para este fenómeno? Podemos destacar diversos motivos, entre eles, as medidas de austeridade sobre as novas contratações na função pública e a diminuição do número de alunos em Portugal, nomeadamente nos cursos desenvolvidos para professores. Existem cursos para professores sem um único candidato, e o mais surpreendente, é que a maioria, não chega sequer aos 10 candidatos. O panorama atual do ensino está longe de ser encorajador, e é totalmente descabido esperar o aparecimento de novas gerações de professores quando, 75% dos professores em funções, apresentam níveis preocupantes de exaustão emocional.


Afinal, quem quer ser professor?

Recentemente, estes dados foram divulgados por alguns órgãos de comunicação social, como o Expresso, o Jornal de Notícias, Público, Renascença e rádio Comercial. No entanto, em junho, a Antena 1 emitiu uma grande reportagem intitulada “Quem quer ser professor”, da autoria de João Torgal, onde procurava obter algumas respostas junto dos professores, e o resultado não poderia ser mais desencorajador.

“A minha filha sempre disse desde pequenina que a única coisa que não queria ser era professora”

Aproximadamente metade dos professores inquiridos no estudo elaborado pela FENPROF – que contou com 18000 docentes -, afirmam que dar aulas faz mal à saúde. Neste mesmo estudo, é referido também, que 63 % dos professores não recomendam nem a familiares nem a amigos, que sigam a profissão de docente, e mais de 50% não se sentem realizados na docência.

Disciplina, burocracia, baixos salários, ausência de progressão justa na carreira, conflitos de gestão, são algumas das razões que levam os professores portugueses a atingir o burnout. É precisamente este burnout que leva os profissionais da educação a quererem reformar-se o mais cedo possível.


De quem será o futuro?

“Os meus filhos nunca sequer tentaram optar por essa vida... eles viram a minha vida.”
“Nunca lhes passou sequer pela cabeça serem professores.”

Mais de 40% dos professores do ensino básico e secundário têm mais de 50 anos (sendo a média da OCDE de 36%) e apenas 1% têm menos de 30 anos. Em 2005, apenas 22% dos docentes tinham mais de 50 anos, e cerca de 16% tinham menos de 30 anos.

Continuaremos a caminhar para uma classe docente cada vez mais envelhecida... Até quando?

Entretanto, o Sindicato dos Professores da Zona Norte (SPZN) já lançou uma campanha no Porto para "Tornar atrativa a carreira e rejuvenescer o corpo docente".


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