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Obrigada, Professores!


Vinte e um anos, quatro meses e oito dias após o meu primeiro choro, ainda não descobri qual é o sentido da vida. Era capaz de apostar cinco paus em como está relacionado com aprender ou criar... pelo menos, é isso que me faz sentir mais realizada.

Gostando eu de me armar em intelectual e valorizar o conhecimento, não posso deixar de agradecer a todos aqueles que me aperfeiçoam nesse sentido. Acredito que toda a gente pode ensinar algo a outra pessoa e, hoje em dia, ser “gente” já nem é um pré-requisito (não é, Google?). No entanto, há uma classe particular de seres humanos que recebe a minha mais profunda admiração – os professores – e juro que não estou a dizer isto para dar graxa a ninguém.

Desde pequena fui ensinada a respeitá-los, porque era isso ou um puxão de orelhas por parte do diretor da escola. Tive a sorte de ser educada num ambiente com regras rígidas, mas, simultaneamente, caloroso e solidário. E embora um professor seja uma boa fonte de transmissão de conhecimentos, o mais importante nele nem é a sua parte enciclopédica, mas sim a vertente mais humana e emocional. Não há melhor sensação do que sentir que temos alguém ao nosso lado que está a torcer por nós e dedica grande parte do seu tempo a tornar-nos pessoas melhores. Mesmo que não devamos viver com o objetivo de agradar aos outros, sabe bem melhor correr atrás de um objetivo que não só resultará numa enorme satisfação pessoal, como também deixará felizes aqueles que nos orientam.

Na verdade, foi assim que comecei a minha relação íntima com a matemática: tive a sorte de conhecer dois professores que acreditaram em mim mais do que eu acreditei, que me motivaram para a área e sustentaram os meus sonhos. A brincar, a brincar, os professores mudam vidas, e a minha foi uma delas.

Eu não sou professora, mas sei o que é estar perante uma audiência desinteressada, tendo inclusive dado uma palestra numa escola em que alguns alunos estavam DE COSTAS para mim. Não é nada fixe! Se criar uma criança ou adolescente já é uma tarefa titânica, nem quero imaginar como é lidar diariamente com trinta. Não são só trinta nomes para decorar e trinta testes para corrigir, são trinta feitios, manias, qualidades e imperfeições; são cinco tipos de hiperatividade, dois de alergias estranhas e um portador de piolhos que já são tratados como animais de estimação. Depois, ainda nos têm de aturar quando passamos pela puberdade, ou até quando já somos crescidos, mas só sabemos fazer massa com atum na modesta cozinha da residência universitária. Tudo para o nosso bem.

Uma equipa de futebol nunca será bem-sucedida sem um treinador à maneira, por muito bons que os jogadores possam ser. De modo análogo, muitos de nós nunca chegariam aonde chegaram, não fosse a orientação de certos professores. É óbvio que também podem surtir o efeito oposto, um mau professor é capaz de arrasar com a nossa auto estima e fazer-nos odiar um certo assunto para o resto da vida. Daí ser tão importante darmos graças pelos bons!

Na verdade, ser professor é uma profissão de risco. É chegar estourado a casa depois de uma reunião de pais que quase continuava pela noite dentro, atirar-se para o sofá e pensar: “é desta que meto atestado médico”. Mas aguentem, por favor, porque a sociedade precisa de vós. Nas palavras de Isaac Newton,


“Se vi mais longe, foi por estar de pé sobre os ombros de gigantes”


VÓS, professores, sois gigantes. Obrigada!

Inês Guimarães é apaixonada por Matemática. Tornou-se conhecida como Mathgurl, devido ao seu canal de YouTube onde falava sobre a sua paixão pelos números. A Inês é uma das parceiras da Betweien, co-autora dos projetos "Terra da Mentemática" e "A Raiz do Problema". Recentemente, tornou-se membro do Clube de Matemática da Sociedade Portuguesa de Matemática onde, no dia 19 de cada mês, escreve um texto da sua autoria.


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