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Estado da docência em Portugal

O envelhecimento do corpo docente e a baixa atratividade da profissão representam as principais preocupações do CNE (Conselho Nacional para a Educação) no que diz respeito ao panorama da docência em Portugal. Estas preocupações são facilmente detetáveis pela ”diminuição da procura dos cursos da área da educação, nos últimos anos, e com o consequente decréscimo da oferta, sem que sejam preenchidas, mesmo assim, todas as vagas a concurso.”

O curso de Educação Básica, que habilita para a docência do pré-escolar e do 1.º e 2.º ciclo, preencheu apenas 384 vagas, das 739 existentes - o que corresponde a aproximadamente 52%-. Ao longo dos últimos 10 anos, o envelhecimento do corpo docente tem vindo a aumentar constantemente, e estima-se que, até 2030, mais de metade dos professores poderão aposentar-se.


Em setembro de 2019 escrevíamos que "mais de 40% dos professores do ensino básico e secundário têm mais de 50 anos", no entanto, a realidade atual é bem mais preocupante. Atualmente, a percentagem de docentes com idade igual ou superior a 50 anos é de 54,1%, o que representa um aumento de 14% face ao nosso artigo escrito em 2019.


Hoje, existem menos 4525 professores do 1.º ciclo do ensino básico do que havia no início da década em estudo. E enquanto os docentes com menos de 30 anos foram diminuindo (eram 10,2% e representam agora 1,3%), os que têm 50 ou mais anos viram a sua percentagem aumentar de 25,1% para 39,5% em igual período. Nos restantes ciclos de ensino, os números são diferentes mas o panorama é idêntico. Num estudo recente do Conselho Nacional de Educação, estima-se que até 2030 mais de metade dos professores do quadro (57,8%) poderá aposentar-se.

Uma das principais explicações para este facto parece residir na desvalorização da profissão, já que apenas 9,1% dos professores portugueses considera a sua profissão valorizada pela sociedade. Um valor muito inferior aos 32,4% registados pela média dos países participantes no TALIS 2018 (inquérito OCDE aos docentes e diretores de escola sobre ensino, ambientes de aprendizagem existentes nas escolas e condições de trabalho). Apenas três países, a França, a Eslováquia e a Eslovénia, apresentam percentagens mais baixas, sendo de realçar a Finlândia, com a percentagem mais elevada (58,2%).


Relembramos a reportagem da autoria de João Torgal intitulada de "Quem quer ser professor?". Urge tomar medidas para renovar o corpo docente em Portugal e repensar em estratégias que valorizem estes profissionais que representam o mais importante pilar da nossa sociedade, a educação.


Adaptado: Expresso

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