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Educação em casa - Como lidar com a falta de concentração

A Covid-19 veio a alterar o paradigma vivido na educação. O ensino presencial foi substituído pelo ensino à distância. O tradicional, foi substituído pelo digital. Muitos dirão que se tratou de uma digitalização necessária que, mais cedo ou mais tarde, teria que surgir na nossa realidade. No entanto, esta fase de transição acarreta uma elevada carga de distração para todos os alunos que agora têm como ferramenta de trabalho aquelas tecnologias que, num passado não muito distante, eram as suas fontes de distração. A falta de foco acaba por ser uma consequência natural desta mudança, mas...como é que podemos lidar com isto?

Ao atual momento, repleto de incertezas e ausente de rotinas, soma-se a nova "educação tecnológica", a falta de atenção e a impaciência. Para lidar com tudo isto, é necessário que, pimeiramente, nos foquemos de que se trata de um momento atípico, delicado e de muita incerteza, o que faz com que os comportamentos dos mais novos sejam também diferentes daqueles que seriam considerados "normais". Se a desatenção, preocupação e inquietação já eram comportamentos frequentes, é normal que face a esta pandemia, esses mesmos comportamentos se agravem. Por isso, tenha sempre em mente que tudo isto se trata de uma fase e, assim como todas as fases, terá um fim.


É importante notar que, a cobrança excessiva pode influenciar negativamente a atenção das crianças e dos jovens. Os alunos precisam de ser estimulados, mas se lhes for exigida mais produtividade do que aquela que elas efetivamente podem dar, podemos estar a criar uma situação de stress e frustração.


Tecnologias e lazer

Os ecrãs utilizados para lazer passaram a ser os ecrãs para aprender. Se no ponto de vista de um adulto isto pode não suscitar grande confusão, porque afinal de contas, utilizamos os ecrãs para trabalhar, no ponto de vista das crianças, isto refletiu-se numa mudança muito impactante. É importante que seja dado um tempo de adaptação às crianças para que elas consigam converter as suas ferramentas de lazer em ferramentas educacionais. Para além disso, as crianças viram-se privadas do ambiente de sala de aula. Atualmente, o escritório, o quarto, ou até mesmo a cozinha são as novas salas de aula, e os fatores de distração aqui existentes são enormes. Aliado a tudo isto, deixou também de existir a presença física do professor e dos colegas, que de certa forma, acabava por criar algumas regras e imposições aos alunos.

Participar em detrimento de assistir 

Podemos dizer que é consensual entre professores e educadores, que aulas ativas, onde o aluno é colocado numa posição de criar, pensar, debater e desenvolver ideias, são mais produtivas do que as aulas expositivas, nas quais o professor explica o conteúdo durante toda a aula. Uma vez que o segundo tipo de aulas acaba por ser o privilegiado no ensino à distância, existe uma elevada probabilidade de os alunos não criarem uma conexão com aquilo que estão a fazer, aumentando assim os seus níveis de desconcentração. Procure formas de tornar os alunos nos protagonistas das aulas, torne as aulas menos expositivas! Transforme os alunos em professores, ou faça leituras partilhadas.

Como podem os pais ajudar? 

Em primeiro lugar, a criação de uma rotina será benéfica para todo o agregado familiar. Os pais podem organizar momentos dedicados ao trabalho, deixando mais momentos disponíveis e de qualidade para apoiar e estar com os filhos, enquanto que os filhos terão uma maior noção de quais os momentos onde deverão prestar mais atenção, e assim, minimizar ao máximo todas as distrações.

Converse

Explique o contexto que estamos a viver e faça-os ver que a nossa rotina está diferente. Converse francamente, utilizando uma linguagem acessível, para lidar com a preocupação e ansiedade.


Deixe de lado a rigidez

Se antes os pais contavam com a presença física e com a ajuda de profissionais da educação para lidar com as dificuldades de aprendizagem e atenção dos seus filhos, hoje terão que ser eles mesmos a encarar esses desafios. Entenda que a produtividade não vai ser como antes. Procure comunicar com a escola, eles certamente conseguirão auxiliar neste tópico.

Como podem os professores ajudar?

Comece a aula com uma boa notícia. Dependendo da idade dos alunos, é provável que já estejam a par do que está a acontecer relativamente à pandemia. O contacto constante com as notícias sobre este tema levam a que as crianças tenham dificuldades em manterem-se positivas. O professor deve tentar combater um pouco esta realidade, partilhando notícias positivas, sendo elas relacionadas ou não com a Covid-19. Isto ajudará o aluno a perceber que em breve, tudo ficará bem.

Transforme as atividades em jogos 

Substitua o tradicional trabalho de casa e torne essas atividades em jogos. Pesquise alguma aplicação que aborde as questões tratadas na aula ou apresente um projeto para que os alunos possam construir um quiz/quebra-cabeças em casa.


Indique um filme como forma de estudo

Os filmes são ótimas ferramentas para transmitir aprendizagens de uma forma prazerosa. Retire algum do foco em torno da pandemia.


Como vais ser o regresso às aulas?

Peça a opinião aos seus alunos sobre que tipo de atividade poderão fazer assim que as aulas voltarem ao modelo presencial. É certo que ainda não sabemos quando irão voltar, mas abordar o tema do "regresso à escola" ajudará os alunos a manter a positividade, uma vez que transmite que, mais cedo ou mais tarde, a pandemia irá terminar.

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